17.1.12

um ano sem ti

agora que já não estás cá para me ralhar já te posso tratar por tu. não que isso nos aproxime, não que mude alguma coisa, mas porque me faz sentir-te ainda parte de mim, como um braço ou uma perna que tantas vezes me faz falta.
tenho saudades das tuas mãos enrugadas mas sempre macias, das tuas gargalhadas, dos olhos pequeninos e escuros na cara de lua cheia - já tão fininha nos últimos tempos.
e volto mais atrás ainda e tenho saudades de te ver a fazer rissóis, dos cem escudos que nos davas para pormos a mesa todos os dias, de me ensinares a pôr a mesa - "copo de água e copo de vinho, guardanapo do lado direito, prato de sobremesa do lado esquerdo" - da salada russa ao almoço na granja, ainda com os cabelos molhados dos banhos de mar. de te ver a jogar canasta e a ganhar sempre, sempre! do amor que dedicaste aos filhos, às noras e aos genros, aos netos e a todos os que precisavam, mesmo que viesse acompanhado de um ralhete ou daqueles estalidos com a língua que davas quando estavas aborrecida.
e volto aos últimos tempos e lembro-me como ríamos todos da mão de ferro com que gerias a cozinha do teu trono na sala, "o arroz é para ficar naquele tupperware pequenino de tampa amarela, ouviu?" e nós íamos ao armário que dizias e ele estava mesmo lá!
e este ano doeu-me não teres provado as rabanadas, logo este ano que tanta gente ajudou e que foram as melhores de sempre.... e ri-me com a minha mãe "lembras-te daquele ano que pusemos o vinho do porto na calda à socapa da avó?" e que graça é que tem roubar os bolinhos de coco da travessa antes do jantar se não estás lá para me dar uma sapatada na mão?
fazes-nos falta, avó.

3 comentários:

maggie mae disse...

fogo, o que é que deu a estas gajas este ano que uma pessoa está no seu cantinho a trabalhar sossegadinha da vida e pumba!, lá vem chapada.
vou só ali assoar o nariz e venho já.

Anónimo disse...

LOL...deu uma avó inspiradora! :) deve-se estar a rir de ti agora Maggie . Este não se pode partilhar via ZM pois não M.? :) Tá mt fixe, devíamos fazer um rolo de lembranças para a posteridade. Era giro, para ficar para os nossos filhos, netos, todas as memórias num rolo gigante. Um beijo*
A.

m. disse...

o texto até se pode partilhar.. o blog é que não, por favor!
eu acho que só as nossas recordações dos verões na granja já davam para um romance de 500 páginas! ;)
sabe bem esta catarse maggie, hás de experimentar...